Morar no Sítio Carvoeiro, na zona rural do município de Almino Afonso, é um desafio para a saúde. As queimadas em um lixão da prefeitura local são constantes e obriga os moradores há conviveram com fumaça há mais de duas décadas.
A empreendedora digital, Lourrany Kerolaine da Silva Pereira, de 29 anos, tem compartilhado esse sofrimento com a família ao longo dos anos. Ela mora no Sítio Carvoeiro, juntamente com a mãe, de 64 anos, o pai, de 52 anos, e o irmão, de 27 anos, e relata a angústia de anos e anos vivendo com a fumaça dentro de casa. “O que temos aqui é um lixão a céu aberto, que há mais de 20 anos coloca em risco a saúde da população e o meio ambiente.”, denuncia.
Lourrany conta que o lixão, que a Prefeitura de Almino Afonso chama de aterro sanitário, recebe lixo também do município vizinho de Rafael Godeiro. “Inclusive, lixo hospitalar, restos de animais e até os resíduos retirados das fossas das casas da cidade. Tudo é jogado aqui sem nenhum tipo de tratamento. O lixo não é enterrado como deveria, ele é acumulado em cima do solo e constantemente queimado. Essa queima libera fumaça tóxica que atinge nossas casas, chega até a pista que passa bem ao lado do lixão e prejudica a saúde de todos nós.”, acrescenta.
A moradora afirma que o lixão é ilegal e funciona de forma irregular, não cumprindo normas ambientais, nem sanitárias. “A nossa comunidade enfrenta diariamente o mau cheiro, a presença de moscas, baratas, ratos, muitos urubus no local, além da contaminação da água e do solo. Muitos aqui tinham seus cacimbões, mas a qualidade da água nunca mais foi à mesma. Essa situação está provocando doenças, principalmente respiratórias. Temos um vizinho com problemas pulmonares graves, que já gasta muito com tratamento. Temos também uma menina deficiente que sofre com problemas respiratórios e a casa dela fica a menos de 150 metros do lixão. Essas famílias, assim como todas as outras, são extremamente prejudicadas por esse descaso.”, reforça.
No caso mais recente de queimada, na última quarta-feira (27), o fogo ganhou grandes proporções e não cessou mais, desde então.
Em nota, a Prefeitura de Almino Afonso tratou o problema como um caso isolado e como um incêndio criminoso. “Fomos surpreendidos com um incêndio criminoso em nosso aterro.”, declarou.
Lourrany questiona a Prefeitura: “E nas outras vezes em que houve fogo, também foram criminosos? Quem seriam esses supostos criminosos? Qual seria o interesse de alguém em atear fogo no lixão? Quem se beneficia disso?”.
Na mesma nota, o Município disse que contratou uma empresa para “cuidar do lixo” a partir de setembro.
Mas a comunidade não quer que a Prefeitura “cuide” do lixo. “O que nós exigimos é a desativação imediata desse lixão e o tratamento da área que foi utilizada por tanto tempo de forma irregular. Essa área precisa ser recuperada, com o solo tratado e a possibilidade de se transformar em um espaço que realmente traga benefício para a comunidade, como uma área verde, um parque comunitário, ou até mesmo um espaço de preservação ambiental, que devolva à população qualidade de vida e saúde.”, declara Lourrany.
Os vereadores Júnior Mourão e Waguinho estiveram no lixão e cobraram uma ação imediata da Prefeitura de Almino Afonso para resolver o grave problema.
“Quero pedir ao poder executivo que possa ver essa situação dessas queimadas que está prejudicando a população do sítio Carvoeiro. A população está vivenciando esta triste realidade.”, clamou Waguinho.
“É uma situação que vem há bastante tempo e onde vários moradores estão reclamando. Já vemos pessoas passando por problemas de saúde.”, acrescenta Júnior.
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