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O cenário da pandemia em Mossoró tem dois lados. De um lado, as pessoas que estão morrendo e os seus sofridos familiares; do outro a parte que deveria impedir, mas não impede tantas mortes e tanto sofrimento.
Em Mossoró, a realidade é que enquanto uns morrem, outros contam dinheiro. Enquanto o seu parente, seu amigo, vizinho, conhecido morre por falta do atendimento adequado (ou não), tem muita gente olhando para as contas gordas, cheias de dinheiro que deveria ser usado para, pelo menos, tentar evitar essas mortes.
Enquanto não há um único leito de UTI para covid-19 disponível em Mossoró, a Prefeitura está com dinheiro que besta não conta em seus cofres. São quase R$ 9 milhões repassados pelo Governo Federal para combater a covid-19 em nosso município.
Enquanto o Hospital São Luiz não abre um único novo leito de UTI há quase um mês, a Apamim, que administra a unidade, tem dinheiro em caixa para usar contra a covid-19, mas não gasta. Somente a Justiça Federal determinou repasse de quase meio milhão de reais para serem usados exatamente no Hospital São Luiz.
O Governo do Estado até dia desses ainda tinha R$ 22 milhões repassados pelo Governo Federal para gastar com a covid-19.
Falamos de mais de R$ 30 milhões. Mas novos leitos de UTI no Hospital São Luiz não são abertos por falta de dinheiro, segundo a interventora da Apamim, Larizza Queiroz.
Enquanto nós, simples mortais, contamos os mortos. Eles, do outro lado, os escolhidos, contam as notas de 10, de 20, de 50 e de 100 até cansarem. E é tanto dinheiro que dá para cansar mesmo.
E nessa contagem. Pelo andar da carruagem, ao final de tudo isso, vão sombrar lembranças para uns e muito dinheiro para outros. Os mortos têm destino certo, já as notas de 10, de 20, de 50 e de 100...
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