Ano após ano escuto as mesmas perguntas, os mesmos comentários e desabafos à medida que o Exame Nacional do Ensino Médio se aproxima:

‘Qual tema o senhor acha que pode cair na redação?’

‘Qual a nota de corte do curso tal?’

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‘Eu sei que não conseguirei me sair bem!’

Entre tantas outras dúvidas e inseguranças.

O sistema educacional empurra sobre os ombros dos alunos uma enorme carga de conteúdo inútil, que muitas vezes os sobrecarrega e que jamais será utilizado após a conclusão do ensino médio.

Mas esse, por incrível que pareça nem é o maior dos problemas…

A sociedade e a própria família cobram dos adolescentes, que aos 16/17 anos eles já tenham total certeza do rumo que querem seguir.

Mais do que isso, exigem sucesso e aprovação, mesmo que não haja nos jovens experiência e maturidade suficientes para algumas decisões.

Isso significa que nossos estudantes são ineptos ou que nada no sistema educacional funciona?

Não exatamente.

É preciso entender que, como diz o adágio popular: nem 8, nem 80.

Melhorias no ensino são necessárias, mas acima de tudo é preciso empatia com a juventude.

A pressão desmesurada está originando uma geração de garotos e garotas que chegam ao ENEM estressados, deprimidos, esgotados e, muitas vezes, confusos.

O medo de falhar e decepcionar os pais acaba influenciando diretamente na escolha dos cursos e até no desempenho no exame.

Tentemos todos apoiar mais e cobrar menos.

Ouvir e entender mais, compreender mais e criticar menos.

Quem sabe assim, num futuro não muito distante, todos os candidatos possam chegar a uma prova tão importante, com a cabeça leve e realmente preparada.

Alessandro Paiva é professor de Gramática, Redação e Literatura no Colégio Elita Carlos-CEDEC e Fundador e professor dos cursinhos Oficina da Linguagem e Isolado de Redação do Prof. Alê.